quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A mocinha

O ponteiro do relógio aponta 13:00. Todos olham para a porta, contagem regressiva. 5,4,3,2,1... E ela chega. É sempre assim. Ela é igual à todas aqui, ou todas aqui são iguais à ela. Sempre de preto, uma pasta na mão, passos apressados, um celular e um sapato de salto que à deixa mais alta e elegante. Ela entra e todos olham pra ela. Já era de se esperar. Ela senta e cruza as pernas, todas as outras mulheres copiam. Hoje ela está com o cabelo preso em uma trança, ontem estava apenas preso. E nossa, que engraçado, todas as mulheres vieram com os cabelos apenas presos hoje. Os homens babam enquanto ela fala no celular e enrola nos dedos o fio solto da sua saia. O cara da mesa ao lado acaba de molhar a namorada com vinho, perdeu o foco enquanto a moça de preto retocou o batom, perdeu a namorada, que agora sai apressada para tentar retocar a sua vida sem ele, ou para transformar-se em uma moça de preto e reconquistá-lo.
Ninguém sabe o nome dela, muito menos a sua idade. Ninguém sabe onde ela trabalha, mas com certeza deve ser alguém ocupada, sempre séria, apressada, no mínimo uma empresária responsável. Quem topa ir lá perguntar? Ninguém tem certeza de nada sobre ela, ninguém tem coragem de ir lá perguntar. Sempre sozinha. Mas todos mundo quer ser a mocinha. Todo mundo copia a mocinha. A mocinha tem todos os homens sem ter, a mocinha que para todos os lugares quando entra, a mocinha de preto, sempre séria, apressada e sozinha.
E você, quer ser a mocinha?

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